Ambilital e Sociedade Ponto Verde unem esforços no Alentejo para acelerar metas de reciclagem
A Ambilital, empresa responsável pela gestão dos resíduos do Sistema Intermunicipal da AMAGRA — que integra os municípios de Alcácer do Sal, Aljustrel, Ferreira do Alentejo, Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e Sines, recebeu, no dia 21 de outubro, uma visita de trabalho da Sociedade Ponto Verde (SPV), entidade que gere e promove a seleção, recolha e reciclagem de embalagens em Portugal.
A iniciativa teve como objetivo aprofundar o conhecimento sobre a realidade operacional da reciclagem de embalagens neste território, analisando os resultados alcançados, os desafios associados à recolha seletiva e as oportunidades de melhoria num sistema que serve municípios com características muito distintas entre si.Num território onde convivem áreas rurais, zonas costeiras, polos turísticos e atividade industrial, a gestão de resíduos de embalagens exige respostas diferenciadas, capazes de acomodar variações de população, sazonalidade, distância entre pontos de recolha e diferentes perfis de produção de resíduos. A visita permitiu, por isso, enquadrar os dados da região numa leitura ampla sobre a importância de adaptar o nível de serviço às necessidades concretas de cada município.A iniciativa reuniu autarcas, parceiros e entidades do setor, promovendo um momento de trabalho conjunto sobre os desafios da reciclagem de embalagens na zona oeste do Alentejo. Entre os temas em análise, esteve também a Rede Recicla+, anteriormente denominada Juntos a Reciclar++, programa da Sociedade Ponto Verde que pretende acelerar a reciclagem de embalagens de vidro através de soluções mais próximas dos territórios.A sessão contou com intervenções de Carlos Teles, Diretor Geral da Ambilital, José Pinto Rodrigues, Assessor do Conselho de Administração da Ambilital, Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde, e Ricardo Pinheiro, Presidente da CCDR Alentejo.Ao longo do encontro foi sublinhado o papel da Ambilital na gestão de um território particularmente exigente do ponto de vista logístico e operacional. A atuação da entidade nos sete concelhos abrangidos pelo Sistema Intermunicipal AMAGRA assume especial relevância na criação de respostas que permitam aumentar a quantidade e a qualidade das embalagens encaminhadas para reciclagem.Em 2025, a Ambilital apresentou um crescimento de quantidades encaminhadas para reciclagem de 11% face a 2024. Relativamente aos dados acumulados até setembro de 2026, o crescimento apresentado é de 15% face ao mesmo período em 2025, o que se revela muito positivo. A região integrou ainda o primeiro grupo de Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos (SGRU) a adotar as novas especificações técnicas para retoma, um passo relevante para reforçar a qualidade dos materiais encaminhados para reciclagem e melhorar a eficiência do sistema.Apesar dos indicadores positivos de desempenho per capita, os dados mostram que existe ainda margem para aumentar as quantidades desviadas para reciclagem em alguns materiais, nomeadamente o vidro, o plástico, o aço e o alumínio. Esta evolução dependerá da capacidade de continuar a reforçar o nível de serviço, adaptar soluções à realidade territorial e mobilizar cidadãos, municípios e operadores para uma maior participação na recolha seletiva.Carlos Teles, Diretor Geral da Ambilital, destacou que “encontros como este, com entidades como a Sociedade Ponto Verde, são fundamentais para reforçar a proximidade e a colaboração entre todos os parceiros do território. Temos ainda um longo caminho a percorrer para alcançar as metas de reciclagem, mas estamos convictos de que só será possível fazê-lo através de um esforço conjunto. Na Ambilital, temos vindo a desenvolver um conjunto de investimentos estratégicos que nos permitirão reforçar a nossa capacidade de resposta e criar as condições necessárias para cumprir as metas estabelecidas até 2030. Este percurso tem sido possível graças ao compromisso dos municípios nossos associados e do nosso acionista privado, a SUMA. Estamos focados em continuar a melhorar o nosso desempenho e em contribuir para uma gestão de resíduos cada vez mais eficiente e sustentável.”Já José Pinto Rodrigues, Assessor do Conselho de Administração da Ambilital, refere que “o cumprimento das metas de reciclagem é uma prioridade que exige planeamento, investimento e uma articulação permanente entre todos os intervenientes. Foi com esse objetivo que definimos um plano estratégico, que contempla cerca de 40 milhões de euros de investimento e que nos coloca no caminho certo para alcançar os resultados pretendidos. Este esforço não seria possível sem o contributo dos nossos parceiros, entre os quais a Sociedade Ponto Verde, cujo apoio financeiro, através dos Valores de Contrapartida, assume particular importância. Ao reforçarmos a eficiência da recolha e aumentarmos as quantidades de materiais encaminhados para reciclagem, conseguimos não só melhorar o desempenho ambiental do sistema, mas também reduzir significativamente o esforço financeiro exigido aos municípios.”“A realidade da Ambilital mostra que não há uma resposta única para os desafios da reciclagem de embalagens. Num território tão diverso, onde a distância, a baixa densidade, a sazonalidade turística e a atividade industrial colocam exigências muito diferentes ao sistema, é essencial desenhar soluções à medida e reforçar o apoio aos municípios e aos sistemas de gestão de resíduos urbanos. A Sociedade Ponto Verde quer estar mais próxima destas realidades, ajudando a transformar investimento em capacidade operacional, melhor nível de serviço e mais embalagens efetivamente encaminhadas para reciclagem. Só com esta leitura territorial conseguiremos acelerar resultados, em particular em materiais onde ainda existe potencial de crescimento, como o vidro”, afirma Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde.Ricardo Pinheiro, Presidente da CCDR Alentejo, concluiu que “é particularmente positivo constatar que os sistemas de gestão de resíduos urbanos do Alentejo têm dado um contributo relevante para o cumprimento das metas ambientais nacionais e europeias, ajudando a reduzir os encargos associados à deposição de resíduos em aterro. Este desempenho demonstra a importância de um planeamento articulado, que conjugue as prioridades do ordenamento do território com uma utilização estratégica dos fundos comunitários. A economia circular é hoje uma prioridade europeia e representa uma oportunidade concreta para criar valor, promover a inovação e gerar emprego na região. O trabalho desenvolvido pela Ambilital é um exemplo de como o investimento na modernização e na eficiência da gestão de resíduos pode contribuir para o desenvolvimento económico e ambiental do Alentejo.”Os resultados do SIGRE dos primeiros nove meses de 2026 mostram, contudo, que o ritmo de crescimento da reciclagem de embalagens a nível nacional continua aquém do necessário. Apesar da evolução positiva de alguns materiais, o crescimento global de apenas 1% demonstra que continua a ser necessário melhorar o desempenho do sistema como um todo. Este esforço é fundamental para que o País possa cumprir a meta em vigor — reciclar 65% das embalagens colocadas no mercado em 2026 —, bem como preparar o caminho para alcançar os 70% de reciclagem de embalagens em 2030.Em 2025, o financiamento assegurado pela SPV e pelas restantes entidades gestoras aumentou 90 milhões de euros e, nos primeiros nove meses de 2026, registou um novo reforço de 9,2 milhões de euros. Com a execução prevista para este ano, estima-se que em dois anos — entre 2024 e 2026 — o investimento acumulado quase tenha duplicado (valor estimativo).
Este reforço financeiro representa uma oportunidade para acelerar a transformação do sistema, mas exige uma tradução concreta em resultados no terreno. A experiência de territórios como o da Ambilital demonstra que o investimento deve ser acompanhado por planeamento operacional, dados, métricas de desempenho e soluções adaptadas às características de cada região. O desafio passa por garantir que os recursos disponíveis se convertem em maior eficiência, melhor recolha seletiva e maior qualidade dos materiais retomados, contribuindo ativamente para o cumprimento das metas globais de reciclagem.
