Este ritual secular, assenta na crença popular de que um mergulho no mar nesta data específica tem o poder de purificar o corpo, afastar as maleitas e garantir boa sorte para o resto do ano, equivalendo simbolicamente a vinte e nove banhos normais.

As origens deste costume remontam a tempos ancestrais e estão fortemente ligadas aos ritmos do mundo rural e ao fim da época das colheitas.

No passado, as populações que viviam no interior e no campo, e que passavam o ano inteiro longe do litoral, organizavam grandes viagens em direção à costa em carroças puxadas por animais.

Estas famílias traziam consigo farnéis fartos para piqueniques na praia e cumpriam o ritual de entrar na água vestidos, muitas vezes acompanhados pelos próprios animais de trabalho, que também eram banhados para ficarem protegidos contra parasitas e doenças.

A água do mar nesta noite era vista como um elemento mágico e medicinal, capaz de curar o corpo e até de espantar os demónios.

Com o passar do tempo, a tradição adaptou-se à modernidade e transformou-se numa das maiores manifestações culturais e turísticas do final do verão.

Hoje em dia, milhares de locais e turistas juntam-se nas praias para manter vivo o célebre banho.

Em locais como Sines, realizam-se desfiles e concursos de fatos de banho antigos, uma recriação histórica que homenageia com humor e nostalgia o modo como os antepassados cumpriam este rito de passagem.

No Litoral Alentejano o Banho 29 acontecia em Sines, Porto Covo, Ilha do Pessegueiro, Almograve e Zambujeira do Mar.