A decisão, tomada após anos de militância ativa na Concelhia de Odemira e na Federação do Baixo Alentejo, foi motivada pelo que o autarca descreve como ausência de debate interno e a perpetuação de "poderes instalados".

As divergências de Francisco Martins Silva com a direção nacional intensificaram-se após a mudança de liderança no partido.

O autarca defende que, desde a subida de Pedro Nuno Santos a Secretário-Geral, era urgente uma reflexão profunda sobre práticas internas que, no seu entender, têm impulsionado o crescimento da extrema-direita.

Perante a falta de autocrítica, o presidente da junta aponta para um cenário de "paz podre" e acusa o partido de sobreviver politicamente apenas devido às polémicas do atual Governo da Aliança Democrática (AD).

O recente Congresso Federativo foi o elemento decisivo para a rutura. Embora tenha integrado a lista para a Comissão Política Federativa na expectativa de uma mudança de rumo, Francisco Martins Silva concluiu que o concelho de Odemira continua marginalizado pela estrutura distrital, afirmando que "o Baixo Alentejo termina mesmo em Ourique".

Adicionalmente, o autarca contestou duramente os critérios de nomeação para os cargos de topo da Federação, criticando a inclusão de dirigentes associados a derrotas nas eleições autárquicas.

O motivo imediato para a sua demissão foi a escolha do nome para a Mesa da Comissão Política (Nelson Brito), figura que o autarca acusa de ter isolado Odemira e cuja recondução prova que a atual liderança representa "mais do mesmo".

Com esta saída, Francisco Martins Silva reforça o foco no projeto local, recordado o sucesso da sua candidatura independente através do movimento "Por Ti, Por Nós, Por Vila Nova de Milfontes".

Ao assumir a independência total face às estruturas partidárias, o autarca garante o compromisso exclusivo com a freguesia e expressa o desejo de que o PS venha a alterar o seu rumo estratégico no futuro.