Foto: GALP

 As declarações foram proferidas durante uma audição parlamentar na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, numa altura em que o desenho da operação financeira começa a ganhar contornos definitivos.

A transação prevê a reestruturação dos ativos das duas petrolíferas em duas grandes plataformas ibéricas. A primeira será dedicada à área comercial e de mobilidade, agregando a rede de postos de abastecimento sob um modelo de co-controlo partilhado em partes iguais.

A segunda plataforma concentrará a atividade industrial, a petroquímica e o desenvolvimento de novas energias verdes, incluindo o hidrogénio e os biocombustíveis. Nesta última vertente, a Moeve assumirá o controlo maioritário, ficando a Galp com uma posição minoritária qualificada superior a 20%.

Perante as preocupações manifestadas pelos deputados sobre a perda de controlo nacional daquela que é a única refinaria ativa em Portugal, o governante sublinhou a importância crítica da infraestrutura para a soberania energética do país.

O Ministério das Finanças está a analisar os cenários jurídicos possíveis para blindar o estatuto de Sines, exigindo garantias de que o complexo industrial se manterá operacional em território nacional e que o mercado português terá prioridade absoluta de abastecimento em caso de crises energéticas internacionais.

A Galp já comunicou o progresso das conversações à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), estimando que a assinatura do acordo final ocorra na segunda metade de 2026.

Até lá, o Governo assegura que manterá uma vigilância rigorosa sobre o processo para evitar impactos negativos na economia nacional e no emprego local da região de Sines.