Resialentejo contorna crise dos aterros e supera metas europeias de reciclagem
Portugal enfrenta uma grave emergência ambiental devido ao esgotamento acelerado da capacidade dos seus aterros sanitários. Segundo o alerta da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o país encaminha anualmente cerca de três milhões de toneladas de resíduos urbanos para aterro, o que representa mais de metade de todo o lixo produzido a nível nacional.
Este cenário crítico resulta de uma política que privilegiou o soterramento em detrimento da valorização, agravada pela fraca adesão dos cidadãos à reciclagem, o que já originou penalizações por parte da União Europeia.
A maioria das infraestruturas criadas nos anos 2000, projetada para durar várias décadas, esgotou a sua vida útil em apenas 25 anos.
Em contracorrente com a média nacional, a Resialentejo — empresa responsável pela gestão de resíduos no Baixo Alentejo — apresenta resultados altamente positivos através de uma estratégia focada na reciclagem e reutilização.
A empresa conseguiu reduzir drasticamente a deposição em aterro, que caiu de 94% em 2012 para apenas 15% em 2026. Este desempenho coloca a região muito próxima da meta europeia de 10% fixada para 2030.
No campo da reciclagem, a taxa de encaminhamento da operadora atinge já os 65%, superando a exigência comunitária de 63% prevista para o final da década.
Para garantir a continuidade do serviço nos oito concelhos abrangidos, a Resialentejo está a construir um novo aterro sanitário, antecipando o fim da vida útil da estrutura atual, estimada em dois anos.
Devido às elevadas taxas de reciclagem da região, esta nova infraestrutura terá uma longevidade alargada para as próximas gerações.
Adicionalmente, a empresa iniciou uma avaliação legal, económica e ambiental para estudar a possibilidade de ceder uma pequena percentagem da nova capacidade a outros Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos (SGRU), ajudando a mitigar a crise que afeta o resto do país.
